quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Suspenso

E quando o peso das palavras é maior que a gente?
E quando os passos congelam equilibrando-se na linha bamba do tempo e o ar, é de repente tão sujo e denso, que arrebenta minhas veias por dentro?

É quando se para no primeiro tempo da intenção de um abraço, e meus braços, de suportar tuas palavras, já tão fracos, não te alcançarão jamais.

Sobre o luto

O luto, amor?
Por lágrimas já choradas,
por palavras já ditas,
por pedaços que nunca
estiveram inteiros?
O luto, amor?
O luto não.
Nascer.

Brincadeira


E eu não saberia dizer
se somos amigos que
passaram um tempo
brincando de namorados
ou se somos namorados
que passaram tempo demais
brincando que eram amigos.

1:42

Não ligue pro que eu falo.É sério.Já passa de uma da manhã e as palavras me escapam da boca sem que possa contê-las.Correm de mim como crianças mal criadas, derrubam coisas por onde passam, tropeçam em lembranças, explicações...melhor pararem ou vão acabar quebrando algo.São palavras temperadas.Com o gosto amargo do beijo que te neguei.Gosto que nunca saiu da minha boca. Já tentei de tudo, o tudo já me tentou e eu não cedo.Não tem jeito, aqui estou.Eu sempre volto.

Crepúsculo


É o sol se pondo...não é injusto?Não é triste que justo no momento em que vai nos deixar ele se torne mais belo?
Parece debochar de mim, quase o ouço rir, por saber que mesmo quando seu último raio sumir na linha escura de um horizonte sem luz, eu, tola, ainda vasculharei o céu em busca de um dia vazio que já passou.

Parece debochar de você. Sim, de você meu amigo, sabendo que ao meu lado, vendo-o morrer diante de nós, lentamente, você ainda quer segurar minha mão. Mas não o faz, a lógica não deixa.

Parece debochar de nós afinal...do dia que não vivemos. Um quadro de pinceladas arrojadas e cores espetaculares, cores que põe em minha boca o gosto do que poderia ter sido. O dia. Mas não foi. Termina.